
Há décadas atrás o rádio foi inventado por um padre, embora alguns ainda acreditem que seu inventor seja o Marconi, a transmissão radiofônica teve seu primeiro êxito em 1893 com o pelo Padre Landell de Moura. No Brasil inicialmente, o objetivo da radiodifusão era diretamente educativo, tendo como pioneira a rádio Roquette Pinto.
As rádios logo depois passaram a oferecer além dos programas educativos, música e informação. A primeira transmissão radiofônica foi realizada em caráter experimental pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro na praia Vermelha, com o discurso do presidente da República, Epitácio Pessoa em comemoração ao centenário da Independência do Brasil.
Porém, ao longo dos anos o rádio sofreu várias mudanças. As radionovelas, radiojornais e programas de auditório migraram para a TV. Fazendo com que muitas rádios especialmente as FMs se dedicassem exclusivamente às músicas.
Com o advento dos meios de comunicação de massa a Igreja Católica começou a sofrer da síndrome do púlpito que durou algumas décadas. Então começou a exercer vigilância e controle sobre os novos meios, mas essa atitude logo teve que ceder, pois, a sociedade impelia a Igreja a adaptar-se aos novos tempos.
Em 1957 o Papa Pio II (1939-1958) convencido da influência dos meios de comunicação de massa e de seu grande significado escreve a encíclica Miranda Prorsus sobre comunicação destacando o rádio, o cinema e a televisão. A igreja então se abre definitivamente a esses meios.
Com os Meios de Comunicação de massa chegando cada vez mais rápido à população, não havia mais como negar que eles se tornassem peças fundamentais no processo de evangelização no século XX. Dentre os meios de comunicação de massa o rádio ocupa um papel importantíssimo, pois é um mecanismo de comunicação que chega a quase todo lugar, sendo até mesmo mais utilizado que a televisão, o jornal e a internet, por ser de fácil propagação. Além do mais não é necessário grandes investimentos para possuir um aparelho. Possui uma audiência excelente do povo da região no qual se localiza e transmite informações instantâneas ao momento real do acontecimento que se deseja informar.
Logo, igrejas protestantes e católicas viram nesse meio à ferramenta ideal da propagação evangélica e doutrinal.
As igrejas neopentecostais cresceram muito nas últimas décadas arrebanhando muitos fiéis. Essas igrejas conservaram algumas características do pentecostalismo clássico, como por exemplo, no que concerne a aversão ao ecumenismo, à presença de líderes fortes e carismáticos, a participação na política partidária, à pregação da cura divina e o uso dos meios de comunicação de massa.
“A origem histórica de algumas denominações protestantes no Brasil está relacionada com o evangelicalismo norte-americano, que procurou um relacionamento do evangelismo com a TV aberta. Nos EUA, os primeiros programas evangélicos estavam vinculados ao protestantismo, e o catolicismo, por sua vez, concentrava poucas atenções para os campos mercadológico e religioso. Desde então, o protestantismo é mundialmente considerado o pioneiro nesse segmento. Porém, com a chegada do pentecostalismo que, ao invés de alugar espaços em emissoras de comunicação existentes como o protestantismo vinha fazendo, interessou-se rapidamente em conquistar seus próprios veículos de informação, tomando assim, os maiores utilizadores da radio e telecomunicação religiosa. Dessa forma os dirigentes das igrejas protestantes e os padres das igrejas católicas perceberam que para efetivar o processo de evangelização seria mais eficaz adquirir a concessão de emissoras, a fim de fazer uma programação totalmente volta à evangelização.”
Uma pesquisa feita no site www.radios.com.br detectou 940 resultados para rádios protestantes, denominadas como gospel ou evangélica (abrangendo todas as denominações) e 300 resultados para rádios católicas.
Como conseguir uma concessão no Brasil não é tarefa fácil, muitas igrejas encontraram na internet uma maneira de disseminar o evangelho além dos sites e portais, as web rádios.
O que muitos especialistas em comunicação e religiosos questionam atualmente, no entanto, é a forma com que cada vez mais igrejas se lançam nas ondas do rádio. O objetivo primeiro que levou essas igrejas às rádios; a evangelização, com o passar do tempo estaria dando lugar ao proselitismo ocasionado pelo encantamento com o mundo da comunicação e seus benefícios, concentrando suas preocupações na audiência e no número de adeptos cativados através das ondas sonoras de emissoras radiofônicas, dando mais ênfase à missão mercadológica que à missão de evangelizar.
Esta seria a razão para a tendência do pentecostalismo em demonstrar maior agressividade na área da comunicação, pois seu interesse nem sempre esteve vinculado com a qualidade dos programas apresentados como no protestantismo, mas na quantidade divulgada e na audiência adquirida.
Estes mesmos especialistas apontam a Igreja Católica como maior referência em termos de comunicação religiosa. O catolicismo nos últimos anos conquistou definitivamente seu espaço na mídia brasileira, demonstrando seu poder de ação como Igreja majoritária.
No entanto, este fator não surge especificadamente como uma iniciativa da Igreja Católica em criar novas frentes de comunicação, mas, de acordo com estes especialistas, como reação frente ao pluralismo religioso que se utilizou da mídia para cativar muitos fiéis católicos aos seus templos, diminuindo a presença católica em solo brasileiro.
Pesquisas históricas levantam os seguintes dados dentro do referencial campo religioso e sua relação com a mídia:
- 1940: surgiram no Brasil os primeiros programas evangélicos no rádio, sendo a Igreja Adventista do Sétimo Dia a pioneira neste trabalho a nível nacional, através da implantação do Sistema Adventista de Comunicação (SISAC) transmitindo o programa A Voz da Profecia com direção do Pr. Roberto Rabello.
- As Igrejas Luteranas foram mais tímidas nesta área, não organizando (1940 - 1950) nenhum órgão nacional de comunicação social na época, principalmente no que se refere à evangelização via rádio. Algumas iniciativas vinham surgindo nas próprias comunidades que transmitiram os programas A hora luterana ou A hora evangélica como parte da programação das rádios comunitárias (geralmente nas cidades de colonização alemã). Já entre os Presbiterianos, Metodistas e Batistas ocorreu algo semelhante ao Luteranismo, porém, possuíam vínculos com entidades americanas, as quais impulsionaram estas denominações religiosas a organizarem mais rapidamente um departamento de comunicação social. Percebe-se que o conceito americano de comunicação religiosa sempre conduziu algumas denominações protestantes a trilharem nos caminhos da mídia
- No pentecostalismo, o interesse pela mídia partiu da Igreja Evangélica Assembleia de Deus com o programa Minutos com Jesus, entre outros. Em seguida, surgiu a Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil para Cristo e a Igreja Deus é Amor, veiculando programas de rádio em todo território nacional.
- Algumas organizações evangélicas internacionais fundaram comunidades evangélicas no Brasil através da difusão de programas de rádio. Na década de 50, o missionário canadense Robert McAlister transmitia o programa A voz da Nova Vida, que na década de 1960 originou a Igreja Nova Vida Consequentemente, evangelistas brasileiros interessados e cativados pela eficácia da comunicação religiosa norte-americana no país, iniciaram campanhas para introduzir novos meios evangelísticos de comunicação social.
Rádios Evangélicas: http://www.radios.com.br/cnt/resultado/6/segmento/Gospel%20-%20Evang%C3%A9lica
Rádios Católicas: http://www.radios.com.br/cnt/resultado/44/segmento/Cat%C3%B3lica
Fontes: www.radios.com.br
http://www3.est.edu.br/nepp/revista/008/ano04n3_03.pdf
Por: Alessandra Batista
Jornalista multitarefa. Pós-graduanda em Cinema, TV e Mídias Digitais. Trabalho na Rádio Cultura AM de Santos Dumont 1580kHz http://www.radioculturasd.com.br

